Grupo de Oração: a célula fundamental da RCC



Grupo de Oração – RCC
Não conheço um futuro Coordenador quando o vejo dando ordens e orientações, mas, sim,
quando o vejo obedecendo, e o Grupo de Oração é uma oficina excelente para isso.
João Valter, então membro da Comissão Nacional de Serviço da RCC

Planejamento: traçar esquema de, ter a intenção, planejar.
Metodologia: arte de dirigir, modo de proceder.
Grupo de Oração: é a célula fundamental da RCC.

1. QUEM FORMA O GRUPO DE ORAÇÃO?

Coordenador Núcleo de Serviço Ovelhas (todo o povo de Deus)
“O maior dentre vós será vosso servo” (Mt 23, 11)
“Pois quem dentre vós for o menor, esse será grande (Mc 9, 48b)

2. GRUPO DE PERSEVERANÇA

Este é o local para onde são encaminhados aqueles que já foram evangelizados com o primeiro anúncio do Evangelho, para crescerem na doutrina, na fraternidade, na participação da Eucaristia e na vida de oração. O início da caminhada pode ser feito através de um Seminário de Vida no Espírito Santo.

Antes de falarmos dos coadjuvantes do GO, é importante procurar viver fielmente sob a Identidade da RCC, o que nos apresenta com seu tripé, como sendo:
>Batismo no Espírito Santo
>Vivência em Comunidade
>Pratica dos Carismas

Batismo no Espírito Santo: “Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até os confins do mundo” (At 1, 8)
Prática dos Carismas: “A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vivais na ignorância” (I Cor 12, 1)
Vivência em Comunidade: “Perseveram eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum e na fração do pão” (At 3, 42)


2.1 – O COORDENADOR DO GRUPO DE PERSEVERANÇA
Cada GO deve ter um Coordenador que, junto com seu Núcleo de Serviço, num trabalho conjunto, é responsável por ele.
“O papel do chefe consiste, principalmente, em dar exemplo de oração na própria vida ... Deveis estar interessados em proporcionar comida sólida para a alimentação espiritual, partindo o pão da verdadeira doutrina ...” Papa João Paulo II

É importante que o Coordenador do GO seja uma pessoa de intimidade com Deus, de intensa vida de oração e de escuta, para que Jesus seja o Senhor do GO e o Espírito Santo o conduza.
O Coordenador é aquele que orienta e conduz. Liderança não é dominação, a liderança espiritual é diferente da liderança humana. Coordenar não é fazer tudo, não é autoritarismo, mas sim distribuir os trabalhos, ouvindo a vontade do Senhor na oração.
O Coordenador deve diariamente suplicar os dons do Espírito Santo, sobretudo, os de Sabedoria, Entendimento e “Discernimento”; este último parece-nos ser o mais importante ao servo.
É interessante que o Coordenador observe outros coordenadores e troque experiências, bem como, visite outros GO para observar os frutos da oração comunitária de maneira mais livre, sem estar na condução da reunião.

Em resumo são características do Bom Coordenador:
· Aberto, acolhedor, não se abate facilmente, é artífice da unidade e da paz (2Tim 1, 6-9);
· Organizado, obediente, de boa intenção (Bar 6, 59-62);
· Tem consideração com os outros (Tes 5, 12-13);
· Caminha no Espírito (Gl 5, 24-26);
· Trabalha em equipe, não centraliza as atividades;
· Tem zelo, ordem, compromisso e pontualidade;
· Tem uma mentalidade aberta à ação do Espírito Santo, que quer transformar sem cessar;
· É conhecedor da doutrina da Igreja.

Ainda, é necessário que o coordenador:
· Dê oportunidade a todos;
· Apóie e reconheça o crescimento dos irmãos;
· Faça servos lideres, melhores que ele;
· Não resista às mudanças.

Cabe também ao coordenador discernir com o núcleo de serviço as necessidades do Grupo de Oração e, a partir daí:
· Usar a criatividade nas reuniões de oração;
· Proporcionar seminários, retiros de primeira experiência, aprofundamentos de finais de semana;
· Encaminhar para os eventos da RCC, da Comunidade, da Paróquia e outros;
· Ensinar as ovelhas a ter zelo pela Comunidade (casa da Obra), porque diz o Senhor: “Minha casa é casa de oração” (Mc 11, 17b).


2.2 – O NÚCLEO DE SERVIÇO DO GO
Todo Grupo de Oração carismático tem sua boa ordem, planejamento e continuidade assegurados pelo Coordenador e Núcleo de Serviço – que é um pequeno grupo de servos que assume o grupo todo em sua espiritualidade e estrutura.

2.3 – AS FINALIDADES DO NÚCLEO SÃO:
a) Avaliar o que Deus fez em cada reunião de oração, não dizendo “foi bom” ou “deveria ter sido melhor”, mas discernindo em oração o que Deus disse. Pode-se avaliar como foi a reunião respondendo, com todo o núcleo, a alguns questionamentos, tais como: “Houve ensinamento?”. Os louvores foram cheios de amor e alegria?. Os cantos foram ungidos e levaram o povo a louvar? Como foi a acolhida? Houve testemunhos? Como foi a evangelização? Foi enriquecedora a manifestação da caridade, da fraternidade, da comunhão?, etc.

b) Acompanhar a assistir os fiéis que estão no grupo em suas necessidades pessoais (doenças, dificuldades de oração, perda de paciência, ausência das reuniões, etc) encaminhando-os aos serviços de (intercessão, cura e libertação, cura interior, etc).

c) Revezar-se na condução da reunião de oração, sempre em clima de fraternidade e cooperação (avisos, organização, receber o pregador, etc).

d) Interceder constantemente pelo Grupo de Oração do qual faz parte.

e) Preparar as reuniões do Grupo de Oração, distribuindo os serviços e responsabilidades, escolhendo em oração um tema para a pregação/formação e rezando por aqueles que desempenharão alguma função.

f) Chegar com antecedência ao local do GO, para receber os irmãos, o pregador, o formador, ofertar o local a Jesus, etc.

O perfil ideal do participante do núcleo inclui:
· Constância nas reuniões de oração;
· Frutos de conversão;
· Responsabilidade;
· Maturidade humana e espiritual;
· Carisma de liderança;
· Senso eclesial;
· Relativa aceitação comunitária, entre outras características.

Nem sempre a pessoa que “reza mais” ou aquela mais “espiritual” é a mais indicada para fazer parte do núcleo. No geral, o coordenador deve escolher seus auxiliares em oração e com bastante cautela e discernimento, solicitando inclusive o apoio espiritual do Ministério de Intercessão e confirmação da Coordenação do Grupo de Coordenadores, bem como, do Coordenador Geral da Comunidade.
Geralmente as pessoas precisam de algum tempo de caminhada do Grupo de Oração, antes de fazerem parte do núcleo de serviço. As pessoas menos indicadas para pertencerem ao núcleo de serviço são: as que têm algum desequilibro emocional/psiquíquico ou carências afetivas muito fortes; as que se relacionam mal ou perturbam a paz; pessoas autoritárias, imaturas no uso dos carismas ou que tenham restrições à doutrina da Igreja. Também é preciso tomar cuidado com aqueles que utilizam o núcleo para tentarem solucionar problemas pessoais ou para se auto-afirmarem.

2.4 – A REUNIÃO DO NÚCLEO DE SERVIÇO DO GO:
É o momento da experiência de Pentecostes. Na reunião cada participante vai ficar motivado e vai motivar os participantes do seu GO. Deve haver um transbordamento de graça do batismo no Espírito Santo. Então, a experiência é a motivação de todo o GO.
O Núcleo de Serviço deve-se reunir semanalmente, com dia, local e horários pré-estabelecidos, para melhor exercer seu apostolado.

3 – QUAL A FINALIDADE DO GO:
Para louvar ao Senhor;
Para proporcionar experiência do Batismo no Espírito Santo aos participantes;
Para reevangelizar os batizados;
Para construir uma comunidade cristã.

4 – QUAIS AS CARACTERISTICAS DO GO:
Centralizada na pessoa de Jesus ressuscitado;
Carismática;
Fraterna e alegre;
Espontânea e expressiva;
Ordenada.

5 – E O ENSINO DO GO:
Ao analisarmos as inúmeras experiências da RCC nesses 40 anos, podemos dizer que o ensino apropriado para um GO de Perseverança, deve ser voltado para a catequese, ou seja, a formação.
Vejamos a distinção entre querigma e catequese.

q Querigma – é o primeiro anúncio, é um falar de Cristo e de seu amor por nós. É uma pregação. Ex. Amor de Deus, Salvação, etc.

q Catequese – é o que vem depois do anúncio, é o fazer entendermos porque Cristo deu a vida por nós. É uma formação. É o conhecer o corpo de Cristo que é a sua Igreja, na sua Sagrada Tradição, Sagrada Doutrina, Sagrada Escritura.

Contudo, não podemos nos deter a prerrogativa de que o GO de Perseverança não se deve ter pregação (querigma) e sim, apenas formação (catequese, ensino), o “Espírito sopra aonde quer” (Jo 3, 8).
Ressaltamos que, os Grupos de Oração, devem inserir com mais freqüência em seus conteúdos de ensino formações/pregações temas voltados à Liturgia da Igreja, afinal de contas, como movimento da Igreja temos os mesmos direitos de todos os outros, porém, a nós é atribuído também os mesmos deveres.

6 – E AS OVELHAS DO GO?
É por conta delas que o Senhor demonstra tamanha preocupação com seus Coordenadores, para que no Espírito Santo consigam apascentá-las.
Não é absurdo dizer que, as ovelhas no GO tem importância igual ou superior aos seus Coordenadores, pois é nelas, em suas dificuldades e pequenez que conseguimos nos encontrar com o Cristo, noutras palavras, as ovelhas são sinais de santificação e purificação para nós; muitas vezes, quando imaginamos estar fazendo muito pela Comunidade, pelos irmãos, na verdade, antes estamos fazendo por nós mesmos.
Por isso Jesus, antes de subir ao céu, pergunta a Pedro por pelo menos três vezes se ele O Ama, porque só a quem deixa-se apaixonar verdadeiramente por Jesus, pode conduzir seus escolhidos ao céu (Jo 21, 15ss).
Daí tiramos uma conclusão muito útil ao ministério de pastoreio, as ovelhas não pertencem a nós, apenas Cristo tem nos confiado e um dia nos cobrará por cada uma delas. O coordenador que não dialoga com o Senhor do rebanho, não pode saber o que Ele quer que seja feito, antes atrapalha Seus planos.

7 – O QUE É GRUPO DE PARTILHA E A SUA FINALIDADE
Levar os fieis a se abrirem para a vida fraterna que viviam os primeiros cristãos.
O Grupo de Partilha é uma maneira de dizer a Deus: “Senhor, queremos partilhar as nossas vidas, nossos sentimentos, nossos bens como nossos irmãos. Sabemos, no entanto, que a partilha fraterna e sincera é uma graça de Deus. Portanto, nos dividimos em grupos de partilha como um sinal para Ti, para que derrame sobre nós esta graça de caridade, partilha fraterna, a fim de que sejamos um só coração e uma só alma, e nos amemos uns aos outros como Tu nos ordenastes que amássemos.
Fundamento bíblico (Mc 6, 30-44)

8 – PARA REFLEXÃO:
Segundo Steve Smith (1997), teoricamente há três formas de se relacionar com os outros, como seja:

Agressivamente
- A pessoa expressa suas opiniões como se fossem fatos consumados (dono da verdade);
- Utiliza-se de perguntas para jogar indiretas em outras pessoas;
- Procura culpa primeiramente nos outros.

Não Assertivamente
- Fala por só por falar, sem ter nada a expressar na verdade;
- Usa excessivamente palavras vagas como “talvez”, “pode ser”, “não sei”;
- Esta sempre criticando a si mesma.

Assertiva
- Faz afirmações claras, breves e diretas;
- Sabe perceber a diferença entre um fato e uma opinião, seja sua ou de outra pessoa;
- Faz criticas com intenção de aperfeiçoamento da idéia em questão, evitando pôr culpa em alguém.

Vicente de Paulo dos Santos

Fontes de Pesquisa:
Bíblia Ave Maria
Ensino para Grupos de Oração-1ª fase-Shalom
Formação de Líderes-Prado Flores
Socorro Sou um Coordenador-João Valter-RCC
Apostila 3-Grupos de Oração-EPA

Nenhum comentário:

Postar um comentário